terça-feira, 16 de setembro de 2014

Secult-Aurora realiza Aula Inaugural da 1ª etapa da Escola de Música maestro Esmerindo Cabrinha


Com um total de 25 estudantes aconteceu na noite da última segunda-feira(15) na sede da Secretaria de Cultura(Secult)  a estreia da 1ª fase da Escola de música maestro Esmerindo Cabrinha da Silva  através da aula inaugural com o professor Damião Tavares - atual maestro da nova banda de música municipal Sr. Menino Deus, recém inaugurada(ver fotos).
Inicialmente as aulas ocorrerão semanalmente sempre nas noites de segunda, quarta e quintas-feiras às 19 h até que ocorra a reforma do anexo II da estação ferroviária. Contudo, segundo enfatizou o secretário da pasta o prof. José Cícero, 'tanto a escola de música, quanto a sede oficial da banda funcionarão em definitivo no casarão do Cel. Xavier(antiga Cnec ao lado da matriz), cujo prédio deverá em breve passar por obras de reformas com vistas a sua necessária revitalização.  
Os recursos para este fim foram conseguindo pelo prefeito Adailton Macedo através do deputado Mauro Benevides, sob convênio com o Ministério do Turismo e que já se encontram na Caixa Econômica Federal juntamente com o necessário projeto de engenharia. 
O centenário casarão que se constitui como uma dos mais importantes patrimônios histórico-arquitetônicos de Aurora será oficialmente tombado para dá sustentação ao projeto de preservação e restauro, defendido e viabilizado pela secretaria local. 
O mesmo albergará ainda, conforme disse o secretário,   a Casa de Cultura  e o centro cultural Aldemir Martins.
Logo após o funcionamento definitivo da escola, disse ele, o número de vagas atualmente ofertados à população deverá ser ampliado, constituindo assim, a 2ª etapa do referido projeto de formação musical; doravante em dois horários, ou seja, tarde e noite, concluiu.
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SERVIÇO:
Sec. de Cultura e Turismo - Secult.
Banda de música municipal Sr.Menino Deus de Aurora - CE.
Escola de Música maestro Esmerindo Cabrinha da Silva
1ª Etapa - vagas limitadas - Inscriçôes encerradas.
2ª etapa - em breve.
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Da Redação:
Fotos: Adriano de Sousa Anão(Setor de Imprensa/PMA)

sábado, 6 de setembro de 2014

Açude de Seu Vinô: A última pá de cal ou o tiro de misericórdia?

Imagens do local : Açude e nascente
Na noite da última quinta-feira(4) fomos  informados, através do telefonema do aurorense Sebastião Maciel - Bastim, (representante da AFA) dando conta do  fim do açude do Seu Vinô localizado no Araçá., vez que os  proprietários/herdeiros  do terreno onde  se encontra(ou se encontrava)  o conhecido açude  iniciaram o “arrombamento” da parede para  que o manancial secasse de vez.  O objetivo segundo dizem,  é aterrar por completo o  local para fim de loteamento(ver fotos). 
Diria que, com o fim trágico e melancólico do velho açude de Seu Vinô, não morre apenas  uma simples represa, como tal pode parecer, mas toda uma história densamente ligada não apenas à cidade de Aurora, mas principalmente ao próprio surgimento do bairro Araçá onde a propriedade agora urbana esta inserida.
Com o fim do açude de Seu Vinô morre também  o famoso olho d’Água  que se  situa um pouco mais acima, cerca de trezentos metros voltado para o Norte.  Ambos deram, literalmente de beber ao bairro Araçá e parte da  população do centro em tempos difíceis de seca. Portanto, há mais que um legado histórico e ambiental; como também um forte sentimento memorial que não poderia ser apagado desta forma, sob o silêncio e a indiferenças  dos contemporâneos.
Parede do açude vista ao longe
Algo que de tão grave merecia o repúdio veemente da população, assim como das autoridades e de todos quantos amam de verdade a sua terra.  Uma preservação merecida e necessária não apenas pelo valor histórico e afetivo que aquele lugar representa, mas principalmente, pela manutenção dos aspectos ecológicos e, sobretudo pelos desdobramentos ambientais negativos  que tal intervenção  provocará  na qualidade de vida de todos os  moradores das imediações em particular, como  da cidade em geral.
Eis a força da grana mais uma vez a destruir para sempre coisas belas. O fantasma da especulação imobiliária  aliado ao dragão do capital  engolindo tudo, ao ponto  não querer deixar “pedra sobre pedra”.  Apagando de vez  os rastros de memória histórica em nome do esquecimento total, bem como a identidade do povo  para que as  novas gerações só consigam viver  sob a perspectiva do não-luga.

REPORTAGEM PUBLICADA NA REVISTA AURORA:

Reportagem Revista Aurora
Ainda em 2007 a Revista Aurora através dos professores José Cícero e Luiz Domingos alertava para a importância da preservação daquele local, ou seja,  tanto do açude quanto da nascente como um patrimônio relevante ante a propositura de um projeto voltado para o desenvolvimento do turismo ecológico e de preservação. Cujo nome homenagearia, inclusive, o Sr. Vinô Leite. A reportagem da RA como se ver foi profética, já que era intitulada: "Olho d'Água de Vinô: Pequeno grande sinal de uma morte anunciada".
Tempos depois o representante da Secult manteve conversações com o proprietário do terreno no sentido da manutenção preservacionista do Olho d’Água e da mata ciliar do entorno. Quando até a demarcação foi iniciada com esta finalidade.  A proposta era manter um espaço de preservação ambiental,  destinado à visitação pública, além de  proporcionar ferramentas para  aulas de campo dos estudantes locais. Contudo, a proposta não evoluiu posto que “Voltaram” atrás  quanto à questão da doação pública do pequeno espaço.
Como se percebe, tudo agora permanece à mercê da destruição, algo profundamente lamentável e que certamente trará sérios prejuízos no que tange à qualidade de vida da população.  Justamente agora que uma rua está sendo viabilizada nas imediações da nascente, ligando o Araçá ao alto da cruz do outro lado da cidade.

Um legado que merecia ser urgentemente  preservado:

Açude já completamente  esvaziado
Não tenhamos dúvida. Caso vivo ainda estivesse o Sr. Vinô Leite que, a duras penas, no lombo de animais  construiu  o manancial e preservou a nascente,  não permitiria que esta destruição acontecesse sob qualquer pretexto. Muito menos para  o fim de loteamento urbano.
Com o fim do açude de Seu Vinô , desaparecerá também a nascente que já agoniza, além de um pedaço bonito  e importante da  nossa história  que está se apagando para sempre.
Por maior que seja a força do dinheiro e da especulação imobiliária, fomentados pelo crescimento  urbano, Aurora não mereceria  este tratamento  degradativo da sua história e tampouco  abrir mão de algo tão precioso para o presente e o futuro de gerações inteiras. 
Porque uma grande  memória não pode ter dinheiro que a pague. A verdadeira história não se vende, não se compra,  apenas se preserva e vive.  Posto que toda história, assim como a consciência holística da vida  e do planeta são algo que não se negocia sob quaisquer argumentos. Muito menos sob os interesses  do capital em desfavor da vida e do meio ambiente.
Com um imenso sentimento de tristeza, fica aqui registrado o nosso modesto, porém necessário protesto.
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José Cícero
Aurora – CE.
Fotos; arquivos e Jean Charles
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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Todo o talento imenso e colorido do jovem pintor aurorense Flávio Soares *

Por José Cícero


Uma amostra da obra do jovem pintor Flávio Soares
Quase ninguém parece conhecer até agora  este novel artista das artes plásticas aurorenses.  Um talento que se expressa muito além de qualquer palavra ou conceito como tentativas para se caracterizar no devido grau o seu trabalho artístico ante o manuseio do pincel e das tintas.
Trata-se do jovem aurorense  Flávio Soares Ferreira(22 anos).  Uma grande promessa da pintura de Aurora e talvez  de toda a região(ver fotos acima).

Flávio, conforme ele mesmo diz,  deu suas primeiras pinceladas  aos 10 anos de idade  a partir da aguçada curiosidade que sempre nutria, diante das imagens que via nos livros e em revistas e desde então passou a reproduzi-las.
confessa que não possui uma influência  em particular, vez que sempre foi um pintor e desenhista solitário e intimista. O certo é que possui um jeito muito particular de produzir suas obras, principalmente no que se refere a mistura de tintas.

Costuma dizer ainda que o seu primeiro despertar para a pintura surgiu por meio de um trabalho escolar, quando teve que pesquisar a vida e a obra dos grandes pintores mundiais. O que representou o seu grande despertar para a pintura. Porém, se afirma admirador do gênero de Salvador Dali e Rembrandt.

Algumas das suas obras na maioria telas já foram comercializadas em Juazeiro do Norte como também em Fortaleza. Vez por outra atende a pedidos por encomenda. No desfile de 7 de setembro deste ano, será um dos artistas da terra a ser homenageado na avenida.
Mesmo sabendo que não é nada fácil viver da sua arte, o jovem Flávio Soares se diz feliz e, por isso mesmo disposto a enfrentar a batalha do mundo da pintura. "Estou tentando por mais cruel que possa parecer", confidenciou ela.

Flávio e sua obra
Ano passado algumas das suas obras integraram a Exposição Permanente - " Pintando a Aurora",   instalada na sede da secretaria de cultura e Turismo do município.

Nascido em 08 de abril de 1992 na cidade de  Aurora(CE) Flávio Soares se diz  satisfeito com a opção que fez pela arte de pintar o mundo, a vida e as pessoas. Suas telas, além de belíssimas possuem um colorido mais que especial. Algo que encanto deste a  primeira vista quer seja pela beleza estética ou mesmo pelo abstracionismo surreal de algumas das suas criações.

Em síntese,  diríamos que Flávio Soares, é um desses artistas do povo que pela beleza estética do seu estilo, parece que já nascera grande e espetacular. De modo que, a verdadeira e definitiva consolidação do seu brilho artístico deve ser apenas uma questão de tempo. Já que talento e criatividade imaginativa ele possuir de sobra. 
Confira algumas imagens(acima) da boa lavra de Flávio Soares.

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Por José Cícero
Para a redação do Blog da Secult.
SERVIÇOS:
FLÁVIO SOARES FERREIRA
Rua Ovídio Leite, s/n  Bairro Araçá
Aurora – CE.
Telefone para contatos e encomendas:  (088) 9673.4704
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Da Redação do Blog de Aurora e Secul
fotos: João Silva

sábado, 30 de agosto de 2014

Geólogos do DNPM regional fazem visita técnica à Massalina de Aurora

Geólogos J.Artur e Benícia Honória  recebidos sede da  Secul por J. Cícero
Geólogos do DNPM em pesquisa de campo na Massalina de Aurora

Chefe do escritório regional do Departamento Nacional de Produção Mineral e assistente visitam AURORA para conhecerem de perto a Massalina do  rio Salgado

A Secretaria de Cultura e Turismo do município de Aurora recebeu na manhã da última sexta-feira(29) a visita dos geólogos José Artur Andrade (chefe do escritório regional do Crato) e Benícia Honório - ambos representantes do Departamento Nacional de Produção Mineral, seção  do Cariri(ver fotos acima).
Em inspeção técnicas e  geológica pela região, os geólogos do DNPM vieram à Aurora após tomarem conhecimento através de uma reportagem publicada na imprensa pelo secretário José Cícero, dando conta da existência de um possível sítio paleontológico em Aurora. O local é denominado de 'Massalina do rio Salgado' e consta de uma bela formação geológica, por sinal bastante inusitada, localizado no sítio Volta na região do Pavão a cerca de 18 km da sede.
Após serem recebidos pelo secretário de cultura e conhecerem um pouco mais sobre a  Massalina, os representantes do DNPM receberam duas edições de Revista Aurora onde consta a primeira pesquisa de campo e reportagem sobre o assunto.
A Secult forneceu dois funcionários para acompanharem  os geólogos durante a visita à Massalina do rio Salgado. No local, além dos registros fotográficos foram também recolhidas várias amostras de solo e rochas que em seguida deverão ser analisadas em laboratórios, a cargo do referido órgão.
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Da Redação do Blog de Aurora
Fotos: Adriano de Sousa Anão/ Assessoria de Imprensa-PMA
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Secretaria de cultura iniciará no final do mês 1ª etapa do projeto “Cultura Itinerante”


‘Cultura Itinerante’ contemplará, além da sede, distritos e outras comunidades polos da zona rural.
Previsto para começar no próximo dia 30 durante as festividades alusivas a padroeira do distrito do Tipi o projeto ‘Cultura Itinerante’ capitaneado pela pasta de Cultura local pretende desenvolver até o final do ano uma série de atividades socioculturais em praças públicas. Abrangendo numa primeira etapa deste a sede e os bairros, até os distritos de Tipi, Ingazeiras e Santa Vitória, além de outras comunidades pólos do município, tais como: Agrovila de Cachoeira, Malhada Funda, Taboca/Araújo, Vila Tuíca, Vila Freire, Soledade, Assentamento do sítio Brandão, Grossos, Franklândia, comunidade do São Miguel, Antas/espinheiro, Calumbi, Santo Antonio, Caiçara/Santa Cruz e Terra Vermelha.
Gêneros Artísticos:

Será uma verdadeira mostra de arte e cultura com foco na valorização dos talentos da terra que deverão está se apresentando na sede e zona rural. Valores artísticos nos gêneros da poesia popular(repentistas), Teatro amador, dança, contação de estórias, expositores de artes, forró pé de serra, musical(Voz e violão), arte circense(palhaços), cotação de piadas, retretas, humorista, seresteiros, dentre outros.
Com este objetivo o secretário José Cícero esteve recentemente reunido com o prefeito Adailton Macedo no sentido de finalizar o quanto antes o projeto orçamentário com esta finalidade. Ocasião onde também discutiu com o gestor municipal a proposta para a realização de mais uma edição da tradicional Festa do Município 2014 que ocorrerá em novembro comemorativo ao ainiversário dos 131 anos de emancipação de Aurora.
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VEM AÍ O 1º FESTIVAL MUNICIPAL DE FOTOGRAFIA...

Em breve a Secult-Aurora realizará o 1º Festival Municipal amador de fotografias em duas categorias distintas, ou seja, Câmara fotográfica e Celular. Só poderão participar do certame pessoas residentes em Aurora, enquanto que o tema do foco é livre, porém as imagens terão obrigatoriamente de retratar o ambiente aurorense.
Os três primeiros colocados de cada categoria receberão uma boa premiação em dinheiro. Os 10 primeiro colocados receberão o título de “menção Honrosa” e todos os demais participantes certificados de participação.
Ainda, conforme a proposta da Secult, as 10 melhores fotografias deverão ser objetos de exposição pública de modo itinerante. As mesmas segundo o secretário da pasta, poderão inclusive, ser expostas no quadrilátero da estátua do Sr. Menino Deus no centro da cidade durante a Festa do Município e posteriormente em algumas escolas locais.
"Uma tentativa de se fazer com que os aurorenses em particular e o povo em geral possam quem sabe, conhecer um pouco mais sobre o nosso município”, disse ele.
A iniciativa será regida por regulamento e as inscrições (gratuitas) deverão ser feitas em breve na sede da secretaria de cultura e turismo(Secult) no centro da cidade.
Aguardem!
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Da Redação do Blog de Aurora

Onde estão os adversários ou inimigos de Eduardo Campos?

Por José Cícero______________

Incrível como o gênero humano em particular e os políticos em geral são, parciais, cínicos e cara-de-pau. Demais, além da conta. Basta ver como muitos dos que até pouco tempo esculachavam com o Eduardo Campos estão dizendo agora, após a tragédia que vitimou o saudoso político pernambucano e sua equipe. Como se ver, cinismo sem tamanho que não convence nem os idiotas.
No topo da lista pra variar está o Ciro Gomes(ex-PSDB,ex-PSB), de onde não se exclui muitos dos pseudomandatários do poder central e também da periferia. A começar(só para citar alguns) pela dupla do JN (da Globo, claro) que na noite anterior ao acidente fatal em entrevista na bancada tentaram a todo custo nocautear no baixo ventre o neto do velho Arraes, como se ali estivem diante de um novo Leonel Brizola.
Mas, caprichosamente o mundo dá muitas voltas. De modo que nenhuma força bruta, por mais bruta que o seja consegue deter a mansidão leve e indomável do imponderável. Como diria o poeta, “o destino conduz aquele que consente e arrasta o que lhe resiste”. Ou seja, fizeram de tudo para isolar politicamente Marina Silva inviabilizando-a na penumbra dos bastidores institucionais, com medo de que seus quase 20 milhões de votos pudessem viabilizar um segundo turno. Algo até bem pouco tempo fora de cogitação (pelo menos para ‘eles’).
E olha só o que aconteceu: Seria cômico se não fosse trágico. Com o lamentável fim de Eduardo Campos – Eis que ressurge Marina no palco da disputa ainda mais forte do que antes. Quer seja pelo carisma da sua imagem, pela dureza necessária e absoluta das suas posições políticas ou mesmo pela indiscutível comoção nacional diante da tragédia que deu cabo a vida prematura e a carreira promissora do bom pernambucano. Contudo, pelo menos por enquanto não estou me reportando a tal famigerada “Conspiração”, porque como veremos noutra oportunidade, há muito estranhamento no dramático e triste episódio.
O certo é que agora, mais do que antes, o medo e o cinismo estão à flor da pele e na cabeça de todos os poderosos que achavam que tudo estava dominado. Que podiam tudo, até se perpetuarem no poder com a força da caneta e a maquiagem propagandista, aliada a um pouco mais de pão e circo.
Caso o PSB e a própria Maria aceitem dá continuidade ao projeto de Campos – A dinâmica das eleições presidenciais deste ano será outra diametralmente oposta a que os poderosos arquitetaram.
Casos não façam o que fizeram quando inviabilizaram a Rede Sustentabilidade da Marina Silva.
Sem, no entanto esquecer que agora existe um protagonista novo na jogada, isto é, o PSB que pode ser cooptado pelo canto da sereia ou pela miragem provocadora da sede do poder.
De forma que, nunca é demais repetir o velho ditado que diz: “gato escaldado tem medo de água fria”. Por fim, neste tabuleiro escuro e sujo da política brasileira sempre à base do toma lá dá cá, tudo é possível, inclusive nada.
E como bem disse recentemente o jovem Eduardo não haveremos de desistir de sonhar o Brasil. 
Oxalá!
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José Cícero
Aurora - CE.
foto: Internet

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

PIRANHAS: Cangaceiros e volantes, uma disputa que não faz mais sentido - Por José Cícero

Passados 76 anos da morte de Virgulino Ferreira da Silva - Lampião, tido como  o rei do cangaço, ainda  é possível notar aqui acolá,  nuances e resquícios da velha peleja, agora no campo das ideias entre os que defendem as volantes e os que glorificam os cangaceiros.
Em que pese  todos os esforços em se estudar com a devida isenção o fenômeno do cangaço, o dualismo ainda permanece vivo e exacerbado. Contudo, é preciso não perder o foco. Principalmente a real noção do papel sociológico, político e cultural do cangaço na construção da história recente do povo dos sertões.  
É como se ainda houvesse, respingos de pólvora, lágrimas, suor e sangue nas reflexões que ora se seguem em torno deste verdadeiro drama humano ocorrido desde meados do século XIX nos grotões do Nordeste. O que com Lampião, durara por mais de duas décadas, até o assassinado do cangaceiro Corisco - o diabo loiro. 
Uma mistura realmente estranha e explosiva carregada por si mesma de ufanismo, ressentimentos, romantismo e adoração. Além de uma dose excessiva  de  incompreensões, parcialidades e preconceitos.  Ingredientes que não contribuem em quase nada para a formulação de um debate franco e qualificado em torno de um tema dos mais palpitantes e polêmicos da história do Brasil.
Não faço objeção pura e simples à chamada formação do mito, quer seja como paixão ou ódio em torno da figura controversa de Virgulino - o Lampião. Isso porque, o que de fato me interessa é o homem histórico em sua contextualização temporal.  Tendo como pano de fundo, as suas relações de causa e feito com o ambiente político e  social da época. Malgrado o mito do herói ou do bandido ainda a motivar, tanto paixões quanto ódios. 
Mais tudo isso são aspectos  inerentes à própria história da humanidade. Algo ainda muito presente no imaginário coletivo das populações. No fundo, diria que, o que mais me interessa realmente é estar  atento e vigilante no sentido de nunca me permitir perder de vista a noção da verdade histórica por mais doída que ela seja. Não me deixar levar pelo achismo absoluto daqueles que de pesquisadores só têm o nome. 
A ponto de puder perceber todo o artificialismo das construções enviesadas, no mais das vezes puramente literárias ou academicistas que no geral, são edificadas não pelos sertanejos, porém pela pena refrigerada dos alienígenas de plantão, distantes demais do palco dos acontecimentos. Os alheios e descompromissados com a realidade dos fatos. E que por isso mesmo, não têm sequer a mínima noção do que venha ser o cenário da caatinga; um mandacaru espinhento, uma jurema braba e, tampouco, ainda hoje, a dura, sofrida e dramática realidade vivida pelas gentes dos sertões. 
Tenho, por tudo isso, imensas dificuldades em acreditar no que dizem e inventam os escritores de bancadas, como igualmente nos que mantêm seus espíritos ainda armados para a batalha. Como ainda, nos escribas laureados dos gabinetes sempre prontos para qualquer shownalismo midiático.
Em favor da história, diria que é imperioso apurar ainda mais nosso olhar, liberto de quaisquer amarras do passado buscando encontrar a verdade com imparcialidade e isenção. Uma tarefa não somente dos pesquisadores, mas de todos quantos se derem a tarefa de ler, refletir e escrever sobre esta temática. 
O Evento de Piranhas:
Não foi diferente o que  aconteceu durante os debates da II Semana do Cangaço ocorrida estes dias na cidade histórica de Piranhas em Alagoas. Confesso que não gostei do "tom da viola' que de certa maneira ritmou a maioria das discussões plenárias. Quer seja, satanizando Lampião e os cangaceiros. E de certo modo, endeusando nas entrelinhas as volantes, além de eximir o sistema,  coiteiros  e os coronéis da política e latifúndio que emolduraram com rastros de violência a saga do cangaço. 
Houve até quem não gostasse, por exemplo, quando se disse que tanto volante quanto cangaceiros foram "farinhas do mesmo Saco" ou estavam no mesmo balaio. O que eu concordo acrescentando apenas, que os cangaceiros não eram pagos com recursos do Estado. 
Houve quem afirmasse na bancada que os volantes eram vocacionados, tinham uma missão a cumprir, não agiam por vingança; sendo regidos por um código de ética, diferentemente dos cangaceiros. Há controversas. Porém em partes, também concordo, ou seja, com as devidas e necessária retificações. 
Senão vejamos: Então, porque  jagunços e cangaceiros às vezes se transformavam em volantes ou vice-versa? Quantas violências horríveis foram praticadas e postas na cota de Lampião em nome da lei? Havia alguma ética ou ausência de violência na decapitação das cabeças em Angico, bem como nas inomináveis barbaridades cometidas pelo sertão adentro? 
E há até  quem diga, que quando cortaram a cabeça de Maria Bonita, ela ainda estava viva. E o dinheiro, os pertences, tanto do bando de Lampião quanto de Corisco (anos depois), com quem ficaram? Onde estava a ética? Fora também massacrada? E os bravos e  famosos nazarenos não agiam também  por sentimentos de vingança?
Em Piranhas disseram também que o que aconteceu na grota de Angico em 1938 quando Lampião e seu bando foram praticamente exterminados não constituiu um massacre e sim, um combate. Difícil acreditar na tese do combate quando se sabe que do lado das volantes  apenas o soldado Adrião foi morto e ainda por cima, com fortes suspeitas de ter sido fogo amigo. 
Ora é mister que se diga, que nem nos confrontos que se sucederam ao malogro de Mossoró em 1927  quando Lampião estava em franca desvantagem ante as tropas de três estados no seu encalço;  como o da Serra da Macambira nas proximidades de Limoeiro do Norte, do sítio Ribeiro e no cerca da Ipueiras em Aurora ambos no Ceará. Lampião não fora pego assim tão fácil com se deu em 38.
De modo que, se em Angico o que houve foi um combate. O que dizer em relação ao que fizeram as volantes estaduais também 27 na fazenda Guaribas de Chico Chicote?  Massacre, como se diz, 'é café pequeno',  o que houve foi uma barbárie. Um crime hediondo e inenarrável.
Como se percebe, assim como nas guerras, também no cangaço a verdade foi uma das suas principais vítimas. Dizer portanto, que cangaceiros e volantes se igualaram  nas atrocidades que cometeram contra o povo sertanejo, está de bom tamanho.
Por fim, penso que todos os que  vivenciaram e conseguiram a duras penas sobreviver  ao flagelo do cangaço foram igualmente vítimas em potenciais.   Qualquer outra explicação que queira destoar muito deste fato, creio que não passa de uma tentativa em vão de se querer "vender gato por lebre".
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José Cícero
Pesquisador e conselheiro do Cariri Cangaço
Aurora - CE.
fotos CC

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Piranhas sedia com sucesso mais uma Semana do Cangaço, edição 2014


Pesquisadores e apaixonados pela temática do cangaço nordestino participam em Alagoas e Sergipe de evento histórico

“Um grande evento, para ninguém botar defeito”. Pelo menos foi com esta frase simples e verdadeira que a maioria dos que participaram da II Semana do Cariri Cangaço em Piranhas puderam definir no devido grau a imensa importância de um dos eventos mais significativos no estudo do cangaço dos últimos tempos.
Durante cinco dias(de 24 a 28 de julho) estudiosos, formadores de opinião, escritores, pesquisadores, agentes culturais, professores, estudantes e demais aficionados da temática do cangaço, além de autoridades de várias partes do país acorreram à cidade de Piranhas no estado de Alagoas para acompanharem de perto  explanações e  debates acerca do assunto.
A abertura da Semana do Cangaço 2014 ocorreu dia 24 no centro cultural Miguel Arcanjo de Medeiros em Piranhas antiga, através da belíssima apresentação da Filarmônica mestre Elísio e outras apresentações culturais que ficaram a cargo do grupo de teatro e xaxado local(ver fotos acima). Sem esquecer a bonita homenagem feita ao saudoso pesquisador Alcino Alves Costa.
Promovida pela prefeitura de Piranhas à frente o secretário de cultura Evaldo Gomes, de Administração Luiz Carlos Salatiel(representando o prefeito Dante Alighieri) e o pesquisador e curador do evento Jairo Luiz; o acontecimento se notabilizou tanto pelo nível das reflexões elencadas, quanto pelo número de participantes. Tal evento contou ainda, com o apoio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - Sbec-RN, do Cariri Cangaço-CE, bem como da Universidade Federal de Sergipe, GPEC da Paraíba e do museu de arqueologia do Xingó com sede em Canindé de São Francisco - SE.
Diversos palestrantes, pesquisadores e entusiastas do tema tomaram partes das discussões, tais como: os escritores Antonio Vilela explanado sobre o soldado Adrião, João de Sousa Lima, Paulo Brito filho do tenente João Bezerra, Renato Bandeira, Manoel Severo, Narciso Dias, Dr. Benedito Vasconcelos, Professora Jacqueline Rodrigues da Asturp, professora Railda Nascimento do Museus de arqueologia de Xingó(Max), Aderbal Nogueira, prof. Wescley Rodrigues, que discorreu sobre o tema Lampião no imaginário dos sertões, Luiz Rubens, Gilmar Teixeira, Ana Lúcia, Dr. Ivanildo Silveira, Padre Agostinhos, Gilmar Teixeira, Jorge Remígio, Prof. Paulo Damas, Dr. Arquimedes Marques, dentre outros. Representando os municípios de Aurora – o secretário de cultura, o professor José Cícero e  por Porteiras, o professor Ticiano Linard.
Grandes debates marcaram o evento, além do lançamento de livro sobre o cangaço e a apresentação de projetos bastante afirmativos, a exemplo da arqueologia do cangaço proposto  pelos professores Leandro Duran e Carlos Magno através da EFS, UFNG e UFPA e instituições congêneres.
Exibições de documentários, além de homenagens,  visitas técnicas à grota de Angico e a antiga fazenda Patos onde ocorreu a chacina cometida por Corisco, Museu do Max e ao centro histórico de Piranhas também fizeram parte da programação. Inclusive, reuniões extraordinárias da SBEC, Cariri Cangaço e representante do IPHAN. 
O encerramento da Semana do Cangaço 2014 se deu no último dia 28 com a tradicional celebração da Missa do Cangaço na grota de Angico, histórico local onde aconteceu o massacre à Lampião e seu bando em julho de 1938.
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Da Redação do Blog de Aurora.
fotos: JC e Cariri Cangaço.

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